Consumidores Falhos para Zygmunt Bauman

Na sociedade contemporânea o consumismo se coloca como estilo de vida. Diz, portanto, não somente à sua estrutura e modos de vida, mas ao ideal que dele se depreende. Participar do consumismo como prática de vida, ou seja, como consumidor ávido e competente, é sinônimo de bem-estar, sucesso e felicidade pessoal. É sinônimo, do ponto de vista sociológico, de fazer parte de determinados círculos sociais e de estar incluído, ainda que inconsciente, na “ideologia da felicidade pelo consumo” (BAUMAN, 2016,  p. 93). O consumismo, diga-se, prática de consumo como fim e que extrapola as necessidades reais, é a lógica de funcionamento da Sociedade de Consumidores.

Consumidores falhos, por outro lado, são aqueles sujeitos que estão excluídos da lógica do consumismo. São, conforme nosso amigo Bauman: 

1) os pobres e miseráveis que não conseguem entrar nos circuitos do consumo (BAUMAN, 2005); 

2) aqueles que não conseguem se manter nestes circuitos, com entradas pontuais e de curta duração; 

3) aqueles que, embora estejam dentro do sistema, não oferecem a ele um consumo satisfatório (BAUMAN, 2008). 

Estas três categorias de pessoas vivem na Sociedade de Consumidores, são alimentadas pela mesma fonte do desejo e da sedução daqueles consumidores “decentes” e “normais”, mas ficam às margens. São consideradas pelo sistema como incapazes, insuficientes, incapacitadas e inabilitadas (BAUMAN, 1998; 2008). 

Sabe aquele cartão de crédito que não foi autorizado pelo banco? Aquela viagem dos sonhos não realizada que mais uma vez terá que ser adiada? Enfim.

A capacidade de consumo dos Consumidores Falhos é considerada pelo sistema como insatisfatória. O acesso ao sistema por parte deles é limitada ou negada. Como consequência, do ponto de vista sociológico, os Consumidores Falhos também têm acesso limitado ou negado aos debates públicos e à esfera pública. Sofrem com a indiferença, a discriminação ou outros tipos de violência por não conseguirem acessar os padrões de consumo da Sociedade de Consumidores.

Referências

BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

BAUMAN, Zygmunt. Vidas Desperdiçadas. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

BAUMAN, Zygmunt, BORDONI, Carlo. Estado de Crise. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.


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